Olhares

Desde quando você se importa?
Desde quando você me quer?
Mas por que me olha assim
com esses olhos de desejo?
Fazendo a loucura
que em mim ‘stava adormecida
ganhar forças
a ponto de dominar-me.
Já não te basta meu sentimento?
Qual o próximo passo
desse seu plano?
Já não te basta meu sofrimento?
Minhas noites já são
por demais angustiadas.
Meu sono pesado, atormentado…
Quando isso vai parar?
Faça-me um favor,
pare de me olhar!

(escrito em 30/12/2005)

Aretha Stephanie

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Sem saída

As paredes tem olhos e acusam-me por ter vivido.
O chão se move e quase não posso ficar em pé.
O teto derrete sobre mim.
Sinto-me sufocada, apertada…
Tento gritar, mas são grunhidos que saem da minha boca, grunhidos como de um cão morrendo, como de um cão que sou nesta noite presa neste cemitério de minha alma.
Ouço vozes, ouço passos… mas ninguém fala comigo, ninguém se aproxima…
É como se eu não existisse, como se eu nunca tivesse existido.
Nem uma só lembrança, nenhuma só esperança… Só a vontade de sair daqui, sair de mim…
Mas… onde fica a porta?

(escrita em 28/01/2005)

Aretha Stephanie

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Foram horas embaixo do chuveiro deixando a água quente escorrer pelo seu corpo. Estava tão quente que chegava a queimar sua pele. E doía, mas a dor que mais a afligia estava por dentro, como um câncer devorando os seus músculos. Mas ela não se importava, talvez uma dor aliviasse a outra.
Enquanto a água caía em sua cabeça tentava não pensar em nada, mas era impossível tirar o que acontecera. Queria não pensar, queria não sentir, não queria estar ali.
Esfregava-se desesperadamente, mas já não tinha mais forças. Sentia-se suja, sentia náuseas. Não sentia mais suas pernas e deixou-se cair ao chão e ficou ali, deitada, esperando que a água a tirasse de si e a levasse embora pelo ralo do banheiro…

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Tudo sempre tem que ter um começo: E nesse caso, a festa de 15 anos da Marjorie

Jeans e camiseta! Isso sim é roupa. Não essa aqui que eu tô usando, nada a ver comigo, mal consigo respirar. A Margie deveria ter escolhido uma roupa melhor! Até que é bonita, mas aperta de um jeito… Margie é prima de minha amiga, a Duda. Ela tá fazendo quinze anos hoje. Pra que eu fui aceitar ser uma das quinze meninas que entrou com ela? Duda, Duda, me faz fazer cada coisa! Agora, me diz se não ficava bem melhor e mais característico se estivéssemos usando jeans, camiseta e um belo par de tênis, esses sapatos estão me apertando demais…
— Anda, Theo! Para de namorar o espelho e vamos que já vai dar meia-noite!
— Estou pronta!
— Como assim pronta? Cadê a sua máscara?
— Ih! acho que ficou lá dentro, peraí — Ainda tem isso, a máscara! Quando o relógio bater meia-noite vamos tirar as máscaras… — Agora, sim, estou pronta!
— Eu já te disse que essa tua máscara ficou linda? Tua vó botou pra lá! Mas só falta um sorriso pra melhorar… que sorriso mais chocho e sem graça! Até parece que não tá gostando da festa.
— Não é isso. Mas essa roupa tá incomodando, muito apertada, e o sapato me fez um calo aqui no calcanhar e…
— Para de reclamar. Curte a festa.
— Porque não é você. A Flavinha sumiu.
— Deve tá com alguém.
— Daqui a pouco você vai ficar com o Lucas e eu sozinha.
— Porque que quer, tem um monte de gatinho aí.
Como já falei, Duda é minha amiga. Ela e a Flavinha são minhas melhores amigas. Mas eu conheço a Duda há mais tempo. Estudamos juntas desde o maternal, temos a mesma idade, sou mais nova que ela apenas três dias.
— Theodora!
— Ai! Não me chame assim que eu não gosto!
— Tô falando com você e você não me dá atenção.
— Hum!
— Você vai beijar alguém hoje?
— Que pergunta besta!
— Vai dizer que não está a fim?
— Eu não! Por que estaria? — Na verdade, eu nunca tinha beijado. E também não estava tão ansiosa assim. Acredito que o beijo deve ser espontâneo, não planejado. Mas também não sei pra que toda essa torcida, não só da Duda e da Flavinha, também da turma do colégio pra eu beijar logo.
— Beijar é muito bom! Você não sabe o que está perdendo. Ah, Lucas está ali, vou dançar com ele, antes que dê meia-noite.
— Quem te vê falando assim diz até que você é expert no assunto.
— Chaata! Aproveita, boba, que não é todo dia que dona Lígia te deixa dormir fora de casa. Te vejo mais tarde, antes de irmos pra cachoeira.
— Vá lá! — Dona Lígia é minha avó, e realmente foi um milagre ela ter deixado eu vir, principalmente que depois da festa vamos todos acampar na cachoeira e, passaremos o dia lá. Pôxa, mas onde a Flávia se meteu? Ela sumiu… — Ai!
— Opa! Desculpa, gatinha, sujei você?
— Não, só me transformou numa salada de maionese.
— Bom, eu adoro maionese. Venha, vou te ajudar a se limpar…
Porque ele tá rindo? Não achei graça nenhuma — Não, não, obrigada, você já fez a sua parte.
— Você é bem desaforada, viu! Só queria ajudar.
Eu daria uma resposta, mas nesse momento o relógio bate meia-noite. Uma chuva de pétalas de rosas brancas começa a cair do teto. Olho para o lado, um casal começa a se beijar, do outro também, mais à frente, a Duda e o Lucas. De repente, todos que estão no salão estão se beijando. Droga! e agora?
— É, salada de maionese — ele pega uma pétala, beija e estende pra mim — de acordo com a regra da festa, devemos nos beijar.
— Mas eu nem te conheço.
— José Augusto Alves Rios Neto, ao seu dispor.
— E se eu não quiser te beijar?
— Bom.. aí eu vou pensar que você está com medo. Vamos ver… porque você nunca beijou antes, acertei?
— Claro que… que… sabe de uma? Não é da sua conta!
— Ah! tá! Você está com medo!
— Não!
Ele me puxou pra perto dele — Então me beija…
Passei a língua nos lábios e fechei os olhos. Senti que ele aproximava o rosto devagar, bem devagar. Que é isso? Estou tremendo? É só um beijo, não é nada demais, apenas um beijo… sinto a mão dele em minhas costas, seu cheiro, seu hálito, sua boca bem perto da minha, quando…
— Eu é que não quero te beijar.
— Ahn!?
— Não vou te beijar, não quero.
— Ah! Agora vai sim!
Ele deu-me as costas e saiu andando em direção ao jardim. Que desaforo! Senti meu sangue esquentar. Que raiva!
— Hei! Você pensa que vai me fazer de besta? Espere aí! — Ele simplesmente dá de ombros e continua andando sem sequer olhar pra trás, e quando percebe que estou perto começa a correr. Não sabe ele que sou a melhor atleta do colégio! Mas ele também corre bem, só que eu conheço esse lugar melhor que ele! — Ahá! — pulei em cima dele, e caímos ao chão. Olhei pra ele e comecei a rir. Ele também. Sentamos na grama e nos olhamos por alguns segundos — Desculpa… machuquei?
— Não. Você se machucou?
— Não.
— Tudo isso por causa de um beijo?
— Na verdade… — abaixei a cabeça — seria o meu primeiro.
— Seria? — ficou me olhando — Estraguei tudo, não foi? Quem era seu par?
— Ninguém. Eu não tenho par.
— Entendo — ele segurou em meu queixo, levantou o meu rosto e tirou a minha máscara — Pode ser eu se quiser… — Olhava-me bem nos olhos — Qual é seu nome?
— Theo… Theodora.
— Posso?
Antes mesmo que eu respondesse, ele beijou-me os lábios bem de leve. O meu primeiro beijo! Mordeu e passou a língua suavemente em meu lábio inferior e me beijou beijou beijou. Tudo parou. Eu sou ouvia a música vindo da festa: “Pra que mentir fingir que perdoou, tentar ficar amigos…” . Quanto tempo se passou? Não sei dizer. Minutos, horas, não existiam mais. O tempo não existe, só o instante. O meu instante. De início eu não sabia o que fazer, mas ele foi me ensinando e aos poucos, eu peguei o ritmo dele.

Primeira lição:
Só se aprende a beijar, beijando!

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Meu vazio

Só existe o nada,
o meu nada.
Que é tão grande que tomou conta de tudo.
É escuro, é frio, e tão cheio de infelicidade…
Como se eu nunca mais pudesse sonhar
Ou
Ser feliz de novo.
O silêncio cortante
fere minha pele
e meus ouvidos.
Angústia, desespero, solidão
É o vazio
É o que encontro quando fecho os olhos.

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DESESPERO

Eu quero a escuridão. Eu quero a noite. Não procuro as sombras, porque se há sombras é sinal que há luz; e a luz fere os meus olhos e confunde minha mente.
Quero que a dor que agora me faz companhia fique mais forte, assim não poderei pensar em mais nada… não pensarei em você.
A escuridão cobrirá minha tristeza e eu gemerei em silêncio. não quero que ninguém me veja, não quero que ninguém me ouça.
Fecho os olhos para que a escuridão que existe dentro de mim me esconda. Fico quieta, em soluços quebrados, no gemido abafado desejando não ser vista ou ouvida.
Não quero ver. Não quero ouvir.
Quero somente que minha solidão me faça companhia, nada mais.
Se eu amei só, é sozinha que sofrerei.

 

 

Aretha Stephanie

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